Eu pensava que finais felizes era só nos filmes, mas a Clarinha e o Leo superaram as minhas expectativas. Que romance bonito de se ver. Uma verdadeira história de amor.
Mas nem sabem o que me aconteceu. O cliente do Bernardo, atacou-me a meio da noite. Foi ao meu quarto e tentou estar comigo à bruta. Consegui fugir e acabei a mandar-lhe com uma tábua na cabeça.
E sabem que mais? Aquele bruto bateu-me. Mas já está tudo bem. O pai do Leo ajudou-me.
Agora vamos ver como corre o futuro. Decidi que quero seguir advocacia para ajudar as mulheres. Temos de começar a ser respeitadas. Se puder... vou mudar o mundo!!
Ainda bem que me consegui safar deste homem. Já não o conseguia aguentar mais tempo. Velho bêbado e "babão". Afinal, o fantástico cliente do Dr. Bernardo é um monstro. Bem… se olhassem para aquela cara… nem sei como consegui enfrentá-lo. Parece um vilão daqueles dos filmes de terror. E esteve o tempo todo a "galar-me". Que medo!
Disse-lhe que estava cansada e vim dormir. Por hoje já não o tenho que aturar mais. Acabou o babysitting.
E sabem que mais? Tudo para ele é ÓPTIMO. Já não o consigo ouvir dizer… “Sim Diana, está óptimo”. Que nojo que este homem me mete.
Vou dormir antes que ele se lembre de vir aqui ao quarto me chatear. Haja paciência. Tudo "por amor à camisola"!
Beatriz, tens razão... porque não aceitar o trabalho?!
Afinal de contas, eu sei bem os meus limites.
Vou então preparar a bagagem para levar para a Ericeira e, ao mesmo tempo, preparar-me mentalmente para este novo desafio.
Acho que o emprego na empresa de advogados já cá canta. Vou apanhar uma verdadeira seca, mas para Diana Sobreda isto "vai ser canja"!
Amanhã já devo ter mais novidades para vocês. Vamos ver como corre a noite.
Hoje estou-me a sentir uma Diana diferente. Imaginem que até pedi desculpa à Clarinha por ter sido tão má neste tempo que passei com ela.
O facto é que tirei um peso da consciência. Até gostava daquela miúda. Era das poucas pessoas que podia considerar uma "amiga".
De qualquer forma, não vim aqui para falar sobre isso.
Vim dar-vos uma notícia mais importante. Aliás, talvez até precise de conselhos.
Aceitei ir fazer um trabalho para o Bernardo na Ericeira. Um cliente dele que vem do Brasil. Eu praticamente vou ter de fazer de babysitter dele. Mas será que devo ir?
O Bernardo pôs-me contra a parede... ou faço o trabalhinho, ou não fico com o emprego na empresa de advogados. Pura chantagem!
Mas que se passa com esta gente? Eu só quis ajudar o meu pai. Ele ficou doente… eu precisava do dinheiro. “Presa por ter cão, presa por não ter”.
Aquela loja dos Fritos não tem futuro. Eles estão sempre com dívidas. Qual é a diferença? O dinheiro fazia-me mais falta a mim… aliás, ao meu pai.
E o Leo ainda me expulsa de casa… cheio de razão. O que eu vou fazer agora?
Pensa Diana, que o tempo é curto. A quem vais pedir ajuda desta vez? Como te vais safar desta? E eu que na boa das intenções, só quis salvar o meu pai.
“Antes pobre e honesto, do que rico e ladrão”. Este tem vindo a ser o lema do meu pai desde que o conheço. Mas onde é que isso o ajudou? Agora está numa cama quase sem forças, e a garantia de que é honesto e que paga a operação assim que puder não foi suficiente para ter a compaixão dos médicos.
Ao longo destes últimos meses já bati com a cabeça na parede muitas vezes devido a atitudes menos “honestas” que tomei. Mas olhando para pessoas como o Bernardo começo a pensar que para conseguir os nossos objectivos nem sempre podemos ir pelo caminho mais “justo”. Dizem que os fins justificam os meios. Por isso, honestidade… será que vale a pena?
Como é que eu fui capaz de pensar que o Bernardo me ia ajudar quando eu mais preciso? Fazendo um rápido flashback da nossa relação, relembro-me que na primeira noite que estivemos juntos ele mandou-me embora de táxi, ainda não foi capaz de me escolher como a estagiária de Verão, obrigou-me a “socializar” com alguns dos colegas dele. Olhando para este “quadro” parece que tive uma ideia demasiado estúpida, ao pensar que ele me ia emprestar 3000€ para ajudar o meu pai.
Chega a uma altura das nossas vidas, em que passado algum tempo de termos deixado as fraldas, e depois de os nossos pais terem feito trinta por uma linha para nos ajudar, chega a nossa vez de retribuir. Nem é preciso eles pedirem… tu sabes que é o teu dever. O meu problema é que eu não sei como é que vou conseguir arranjar 3,000€ para ajudar a pagar a operação do meu pai. E este é o pior sentimento. É frustrante quereres ajudar e não poderes. Os ponteiros do relógio não param de rodar, e eu tenho mesmo de arranjar uma solução. Porque nem quero pensar nas consequências caso eu não consiga.
Hoje não estou com muita vontade de escrever. Estou cansada e maltratada, porque andei a tarde toda à procura da pirralha… a irmã da Clara. E, como se não bastasse, levei um fora do Carlos.
Estou apática. Não sei o que dizer nem o que falar.
Depois de tudo o que eu tenho passado, o único cenário possível é eu ficar a trabalhar na LINK Advogados durante o Verão. Hoje fiz uma espécie de ultimato ao Bernardo, e sinceramente espero que ele o leve a sério, até porque eu já dei provas suficientes do meu empenho. A era da Té pode estar prestes a chegar ao fim, e eu vou assegurar-me que vou continuar a aquecer o lugar de “estagiária exemplar”. Espero no próximo post estar já aqui a publicar o contacto que vai estar no MEU cartão de advogada :P